Em 2017 eu fiz 40 anos. Poderia ser só mais um aniversário, mas fazer 40 tem um significado todo especial, mais ou menos como um pit stop em que você se obriga a parar e repensar sua vida. Você fez as melhores escolhas? Realizou seus sonhos? Consegue ser quem realmente é?

Se alguma dessas questões receber um “não” como resposta, parece que toca uma sirene dentro da alma. Dos 40 em diante não dá mais pra errar o caminho, nem viver num faz de conta só pra agradar os outros. Aliás, de repente os tais “outros” perdem todo o poder que exerciam sobre nós – o que é uma grande vantagem dessa idade! E a gente começa ou recomeça a fazer o que realmente tem vontade, sem dar a mínima pros rótulos ou pras consequências.
Foi assim que o karaokê entrou na minha vida em 2017 – como uma forma de realizar meu desejo enorme de estar num palco novamente, emocionando as pessoas e a mim mesma através da música.
Durante quase 10 anos eu trabalhei com música na noite do Rio. Fui tecladista e vocalista de varias bandas, mas em 2004 conheci meu marido e nos mudamos no ano seguinte pro interior de Mato Grosso do Sul. Quando me perguntavam se eu não estava triste em deixar a música, eu respondia convicta que não queria mais aquela vida – mas no fundo eu sabia que a música era a minha vida; só estava exausta de tanto baile, tocando e cantando um repertório que nunca era escolhido por mim.
Quando cheguei aos 40, a sirene já estava berrando na minha cabeça. De alguma forma eu precisava voltar aos palcos, compor, cantar e tocar. A energia contida era tão forte que a cada canjinha que eu dava as pessoas choravam de emoção – e eu de agonia, por não conseguir viver da minha música em tempo integral.
No dia do meu aniversário, convoque os amigos e a família para comemorar num pub onde havia karaokê – uma forma de mostrar ao mundo e a mim mesma que a minha vida era ali, com o microfone na mão!
Naquela noite eu nem cantei tanto assim, pois queria receber os convidados, botar os papos em dia – mas toda vez que algum amigo escolhia uma música conhecida eu pegava o microfone pra cantar junto e era aquela emoção!
Lá pelas tantas eu já tinha ficado amiga da KJ Rossana Pinheiro (mais conhecida como Roxy), que também dava uma palhinha sempre que pintava uma brecha. Entre um assunto e outro, ela me contou sobre um tal de KWC e começou a “botar um pilha” pra que eu me inscrevesse, dizendo que organizava as seletivas no Rio e que os campeões brasileiros iriam pra Helsinki disputar o Mundial.
Todo aquele papo me pareceu tão doido, que na hora eu nem dei muita confiança rsrs! Mas a curiosidade começou a bater alguns dias depois, quando pesquisei na internet sobre a Roxy e o KWC – e percebi que a coisa era mesmo séria. A qualidade vocal dos candidatos foi o primeiro susto que eu levei. Depois fui conhecendo a história do KWC e me encantei com a estrutura altamente profissional do campeonato. Eu realmente não podia imaginar que existisse uma competição de nível tão alto em matéria de karaokê, que não tivesse relação direta com o Japão – berço dessa modalidade e sede de competições muito tradicionais.
Enfim, passado o susto, a vida seguiu seu curso e eu nem pensei mais na possibilidade de me inscrever nas seletivas. Só continuei acompanhando as redes sociais da Roxy, e assim eu era notificada sobre cada etapa, além de assistir aos vídeos dos candidatos aprovados. A própria Roxy me mandava mensagens de tempos em tempos, reforçando o convite – e ela tinha uma resposta pronta pra todas as minhas desculpas esfarrapadas!
Três meses se passaram até que chegou o convite para a última seletiva no Rio. A essa altura a Roxy já vinha me mandando até sugestões de músicas, amolecendo meu coração devagarinho! Faltando uma semana para a tal seletiva eu entreguei os pontos e fiz a inscrição no site do KWC.
A ansiedade era tanta que não tive nem coragem de contar pros meus pais e amigos – só contei pro meu marido, que sempre me apoiou nessa fase de dúvidas, e mais uma vez estava lá comigo, no meio da semana, altas horas da noite, em um pub lotado de cantores e suas torcidas. Ali eu tive a certeza de que precisava mesmo estar no palco para ser feliz. E também ali eu mergulhei de cabeça na aventura mais doida da minha vida!
 Vem comigo que eu vou te contar essa história e muitas outras aqui no #BlogdoKWCBrasil. E pode ser que os meus casos façam você repensar a sua vida e mergulhar pra valer nos.seus sonhos – mesmo que você ainda esteja longe da “sirene” dos 40!
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