Bem, vamos seguir em frente com essa história?

Como eu disse no post anterior CLIQUE AQUI, minha participação na última seletiva carioca foi o momento em que caiu minha ficha. Ou pelo menos uma das fichas que há muito tempo precisava cair. Subi no palco do Calabouço Heavy & Rock Bar, na Zona Norte do Rio, como a primeira candidata da noite. Pois é… Isso foi bem tenso! E pensar que alguns meses depois meu colega Thiago Millores viveria a mesma emoção – lá na Finlândia! Mas vamos com calma, que a esta altura tudo o que eu queria era cantar logo e acabar com a ansiedade, ou seja, achei ótimo quando o sorteio foi feito e meu nome apareceu no topo da lista!

Subi no palco tremendo de cima a baixo pra cantar Alanis Morrissette. “You Oughta Know” era uma música que eu conhecia bem e isso sempre ajuda na hora da tensão, pois o cérebro fica meio anestesiado pelo medinho que bate, né? Rsrsrs! Se além disso ainda houver uma insegurança com relação à música escolhida, aí as chances de você travar no palco só aumentam.

Como eu disse, subi tremendo e desci tremendo mais ainda. Mas durante a música percebi que as pessoas começaram a cantar e gritar – sendo que a minha única “torcida” naquela noite era o meu marido, que também estava tremendo e não conseguiu nem filmar minha apresentação rsrsrs! Em resumo, conseguia contagiar a plateia com a minha energia nesse momento. E de repente não queria mais descer do palco, tipo… Nunca mais!

Mas a noite era uma criança e ainda tínhamos um top 10 pra encarar. Fiquei muito tempo prestando atenção nos outros candidatos e cantando junto, pra não deixar a voz e o corpo esfriarem. Mas a verdade é que depois de quase duas horas, quando subi novamente no palco pra cantar minha segunda canção, tudo em mim já estava gelado – e tremendo – de novo!

Foi quando eu percebi que todo mundo que tinha sido selecionado subia MUITO mais nervoso do que na primeira vez. Engraçado isso, mas até na Finlândia, na final mundial, notei esta característica em muitos candidatos – gente que tinha arrasado em sua primeira performance e de repente parecia ter perdido todo o rebolado no momento mais decisivo da noite!

Não sei se minha idade faz alguma diferença nessas horas, ou a experiência de palco que já tenho desde novinha… Enfim, o fato é que para mim a segunda apresentação sempre foi mais tranquila. É o momento em que eu esqueço dos jurados e canto pro público, pra mim, pra música. E assim foi naquela noite, cantando Whitney Houston (Saving All My Love For You) como se não houvesse amanhã.

Aquela foi uma performance bem fraca, se pensarmos tecnicamente. Mas eu estava entregue à emoção da música – e acho que foi isso que conquistou todo mundo e garantiu meu lugar na final carioca, um mês depois, no mesmo Calabouço.

Bem, aqui as coisas já estavam um pouco mais tensas. Mas ainda nem pensava na possibilidade de ir à Finlândia. Na minha cabeça, a final em São Paulo era o principal objetivo – eu só pensava em cantar num palco profissional e estar entre os melhores do Brasil. Afinal, só iriam dois pra Helsinki. Juro que nem considerei a possibilidade de um desses dois ser… Eu!

Na noite da final carioca o Calabouço transbordava de gente. Era meio de semana, uma chuva gelada caía sobre o Rio e minha torcida, mais uma vez, era composta por uma pessoa só – minha amiga Rachel. O palco foi reduzido à metade do tamanho pra caber tanta gente – e mesmo assim era difícil andar dentro do pub.

Mas a minha preocupação maior não era essa multidão, e sim o nível da galera que estava competindo naquela noite. Entre as mulheres então, nem se fala! Só tinha vozeirão! Eu fui uma das últimas no sorteio, ou seja, ouvi muita coisa boa antes de cantar – e subi no palco tentando não pensar nisso, pra conseguir chegar ao fim do meu Sweet Love (Anita Baker) sem derreter de nervoso. Até certo ponto a voz chegou a falhar um pouco, então eu fui deixando a música rolar e cheguei ao final bem mais solta. Mas o fato é que todo mundo parecia estar muito mais seguro do que eu.

Quando fomos chamados para o top 10 fiquei mais animada – pensei que nem chegaria até ali! Era uma nova chance para soltar a voz, sem medo dessa vez!

Logo percebi aquele mesmo fenômeno da seletiva – muita gente que arrasou na primeira música se deixou dominar pela tensão na segunda. Também tem gente que parece não se preocupar muito com a escolha da segunda canção – talvez por pensar que não vai ser chamado, sei lá! Na minha modesta opinião, se a primeira música precisa ser algo que você conhece bem, a segunda tem que fazer parte do seu DNA rsrsrs! Neste momento você está cansado, nervoso, cercado pelos melhores e com um tiro só na espingarda. Pra quê arriscar uma Mariah nessa hora, meu Deus???

Eu decidi partir pro português e encarei Gal Costa, com uma música que eu amo – Nada Mais (versão de Lately, do Stevie Wonder). Ela tem um final bem agudo, mas nada muito estratosférico. E cantar em português nos conecta diretamente com as nossas emoções, né? Não sei você, mas eu sonho, penso e amo em bom português. Então tudo fica mais natural!

Desci do palco naquele dia sem tremer – e certa de que meu recado estava dado. Não sabia se isso significava a tão sonhada classificação pra final em São Paulo, mas meu coração estava feliz com aquela performance – e isso é o que vale, meu povo! Podem acreditar! Quando fui chamada para receber o troféu a alegria só triplicou de tamanho! E eu abracei minha torcida – que naquele momento já tinha duas pessoas, pois a amiga Marina chegou também – com uma imensa sensação de vitória!

Em um mês eu estaria cantando em São Paulo, num palco gigante, com equipamento profissional e uma plateia imensa! Isso era mais do que eu poderia sonhar, depois de tanto tempo sem soltar o gogó! Minha família entrou em transe e na mesma semana já tava todo mundo de passagem comprada, meus primos de lá já tinham organizado o comitê de recepção e tinha gente vindo até de Florianópolis pra me ver.

Foi aí que bateu uma mistura de medo e vergonha. Será que tudo aquilo não era meio ridículo? Uma mulher de 40 anos, mãe de família, juntando torcida pra um campeonato de karaokê? Onde eu pretendia chegar com tudo aquilo, fazendo o povo gastar dinheiro, levando marido e filho pra outro estado… Pra chegar lá e cantar uma ou duas músicas? Depois comer um churrasco e voltar pro Rio? Parecia que tudo aquilo era meio desproporcional, que eu estava vivendo como uma garotinha de 16 anos no programa de calouros…

Mas o tempo passou e todas essas questões tiveram que ficar no fundo da minha cabeça. Afinal, chegou o dia 17 de setembro e o Tropical Butantã estava todo iluminado pra grande final.

Respira fundo aí que a emoção tá só começando! No próximo post tem muito mais. Deixa eu tomar um café e escrever o resto! Até já!

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3 Replies to “Ananda Torres – Será que vale a pena?”

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